A restauração da relação rompida entre Deus e o ser humano, e entre as pessoas, por obra de Cristo.
A reconciliação é um dos grandes temas da teologia paulina. Paulo escreve que 'Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo mesmo' (2 Coríntios 5:19) e que recebemos 'o ministério da reconciliação'. A palavra grega katalasso evoca a ideia de trocar o estado de inimizade por um estado de paz — não porque a ofensa seja ignorada, mas porque ela é absorvida e transformada pelo amor.
Espiritualmente, a reconciliação começa na cruz: o abismo entre a santidade de Deus e a pecaminosidade humana é transposto por Cristo, que toma sobre si o peso do pecado e oferece sua justiça à humanidade. Esta reconciliação vertical (Deus-humanidade) é o fundamento da reconciliação horizontal (pessoa a pessoa). Quem foi reconciliado com Deus é enviado como 'embaixador da reconciliação' — Paulo usa exatamente essa imagem (2 Coríntios 5:20).
A dimensão pastoral e social da reconciliação é enorme. Nas sociedades marcadas por violência, racismo, opressão e divisão — como o Brasil —, a Igreja é chamada a ser agente de reconciliação: não de falsa paz que esconde conflitos, mas de reconciliação que enfrenta a verdade, reconhece as feridas e constrói a justiça como fundamento da paz duradoura. O processo de reconciliação pós-conflito (como na África do Sul pós-apartheid, inspirado fortemente por Desmond Tutu) tem raízes profundamente teológicas.
Na tradição católica, o Sacramento da Reconciliação (Confissão) é o rito sacramental em que a reconciliação com Deus é celebrada. Nas tradições evangélicas, a reconciliação acontece no arrependimento e na oração direta a Deus. Ambas as tradições reconhecem que a reconciliação com o próximo é inseparável da reconciliação com Deus — Jesus o diz claramente: 'vai primeiro reconciliar-te com teu irmão' (Mateus 5:24).
Como viver em família
Institua a 'conversa de reconciliação' quando houver conflito familiar: ninguém vai dormir com raiva sem ao menos sentar e dizer 'Eu me importo com você, mesmo que a gente discordou.' Mostre às crianças que reconciliação não é fingir que não brigou — é escolher o relacionamento acima do orgulho. Ore juntos após uma briga, pedindo a Deus a graça de perdoar e ser perdoado.
Para explicar às crianças
Reconciliação é quando duas pessoas que brigaram e ficaram com raiva uma da outra decidem fazer as pazes de verdade — não só falar 'tá bom' com a boca, mas realmente perdoar. É o que Jesus fez entre a gente e Deus: ele juntou quem estava separado pelo amor maior do mundo.
E tudo isso provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação.
— 2 Coríntios 5:18